Lucro, exploração, crueldade e extremo maus-tratos nas fábricas de filhotes

Enquanto as lojas lucram cada vez mais com o universo pet, os animais são submetidos diariamente à exploração e aos maus-tratos.

Para aumentarem seus lucros, criadores de cães submetem matrizes a maus-tratos e comprometem a saúde dos filhotes, vendidos pela internet e em pet shops. O que muitas pessoas não sabem é que os pais daqueles filhotinhos lindos, vivem presos em gaiolas apertadas, suja de fezes, com fome, sede, sem um pingo de carinho, e ainda sofrem maus tratos.

Cada vez mais tem se discutido a “humanização” do animal doméstico no Brasil. No entanto, junto com essa crescente inclusão dos pets como membros da família, um lado negativo levanta questões sobre o modo de se adquirir os pets. A venda de bichos domésticos é uma realidade no Brasil, com canis, gatis e lojas que parecem se preocupar apenas com o lucro em cima dos animais do que com a vida e as condições destes.

Um animal vivo não é um saco de batatas. Ele respira. Ele pensa. Ele pode sofrer. Mas, para o comércio e criação, seu sofrimento apenas faz parte do custo do negócio.

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O aumento do mercado pet na última década também provocou um crescimento no número de raças no país – 33 delas surgiram nos últimos dez anos – para um total de 177. Houve ainda uma mudança significativa na predileção dos compradores. O pequinês e o dálmata, as raças favoritas de anos atrás, foram ultrapassados pelo buldogue-francês e pelo spitz-alemão-anão, os xodós do momento.

A hoje cambaleante classe C foi fundamental para alavancar esse mercado. Muitos dos brasileiros que ascenderam à classe média, e que até a chegada da crise econômica tinham adquirido um plano de saúde e colocado o filho na escola particular, passaram a querer também um cachorrinho de raça. Isso levou a um aumento da demanda, mas os altos preços das pet shops mais sofisticadas – onde um filhote pode custar mais de 10 000 reais – empurraram parte da clientela para a internet, em busca de barganhas.

Num único site de classificados é possível achar milhares de ofertas de pets. O problema é que, quando a compra é feita dessa maneira, torna-se mais difícil saber a procedência do animal e a qualidade do criadouro de origem. Uma pesquisa realizada por um clube de criadores britânicos mostrou que um em cada cinco filhotes comprados pela internet morre antes de atingir os 6 meses e outros 12% desenvolvem doenças graves. Já entre os que são comprados diretamente de um criador, 94% são saudáveis.

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Os fabricantes de animais, não gostam de animais, eles gostam é do dinheiro que recebem da venda dos filhotes. As fêmeas sobrevivem fabricando filhotes em todos os cios, depois de mais ou menos uns 5 anos de escravidão, eles descartam os animais sem dó, nem piedade.

No ano passado, agentes de fiscalização resgataram animais em condições terríveis em ao menos cinco estados – Bahia, Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Santa Catarina. Na região metropolitana de Curitiba, onde a fiscalização de criadouros é mais frequente, quatro das últimas cinco inspeções detectaram problemas graves. Na mais recente, mais da metade dos 146 cães de raças diversas criados no local apresentava doenças de pele. Dois em cada dez estavam subnutridos e em dezesseis das 22 baias avaliadas pela fiscalização foi constatada a ocorrência de maus-tratos. Eram cães de raças como pug, spitz-alemão, poodle, yorkshire, beagle, maltês e pinscher.

Os flagrantes realizados até agora mostram que se dissemina no Brasil uma versão local de um mal que vem sendo combatido há alguns anos nos Estados Unidos e na Europa – as chamadas puppy mills, ou, numa tradução livre, fábricas de filhotes. São criadouros clandestinos ou não fiscalizados em que os cachorros – sobretudo os adultos, criados não para ser vendidos, mas para reproduzir-se e dar lucro – vivem em condições insalubres e são forçados a procriar no limite de suas forças.

No Brasil, a lei exige que todo criadouro comercial tenha uma licença e um veterinário responsável. Na prática, porém, a maioria trabalha sem uma coisa nem outra. Órgãos oficiais especializados no combate aos maus­-tratos em animais costumam lidar com casos isolados – como o do vizinho que denuncia o outro por tratar seu animal com crueldade, por exemplo. Em São Paulo, a Divisão de Investigação sobre Infrações de Maus-Tratos a Animais e Demais Crimes contra o Meio Ambiente, da Polícia Civil, não tem nenhuma investigação em andamento sobre problemas em criadouros.

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Uma investigação da Animals International de 8 meses revelou uma crise global de bem-estar animal que requer uma reação global.

O fenômeno das puppy mills chegou ao Brasil no rastro da expansão do mercado pet, que cresceu três vezes mais que a economia na última década. Mesmo neste ano, com o esperado recuo de mais de 3% no PIB, o segmento deve expandir-se até 7%. Se a previsão da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação se confirmar, a proporção de cães de estimação por habitante no país, hoje de um para quatro, será de um para três em cinco anos – superior à dos Estados Unidos (um para quatro habitantes), à do México (um para cinco) e à do Japão (um para doze).

Os bons e os maus criadores de cães podem ser identificados antes mesmo do nascimento de um filhote. Os melhores profissionais gastam pesado na compra de matrizes e padreadores – os casais que darão origem à linhagem. Investem ainda na aplicação de testes genéticos destinados a manter a pureza da linhagem e em alimentação e medicamentos de qualidade. Já os aventureiros estão mais preocupados com o tamanho da ninhada e a quantidade de reproduções que podem obter de uma matriz. Especialistas em procriação animal consideram que uma cadela deve cruzar no máximo a cada dois cios. Trata-se de uma regra comumente desrespeitada por criadores não profissionais. O

O cruzamento de uma cadela a cada cio debilita o animal e reduz a sua resistência imunológica – daí a frequência de inflamações e infecções, principalmente de mama e útero, que afetam também a saúde dos filhotes. Afirma o presidente da Associação Brasileira de Medicina Veterinária Legal, Sérvio Túlio Reis: “Esse tipo irresponsável de produtor está interessado apenas em produzir filhotes de raças que estejam em alta e ganhar o máximo de dinheiro com isso. O comprador não faz ideia do que acontece nos bastidores”.

A diferença de cuidados reflete-se no preço. Enquanto um buldogue-francês de um canil que obedece aos procedimentos obrigatórios pode custar 8 000 reais, um filhote da mesma raça e idade é anunciado em média por 2 800 reais na internet. Da mesma forma, o spitz­-alemão-anão, que chega a 15 000 reais num canil especializado, nos classificados on-line é oferecido por 3 000 reais. A venda por sites não é sinônimo de problemas, mas diferenças brutais de preço podem ser um indicativo da falta de qualidade dos criadouros.

E maus produtores também abastecem pet shops, afirmam especialistas. O canil fechado no Paraná, que aparece no começo desta reportagem, vendia filhotes pela internet a todo o país e os fornecia a uma pet shop local – o que significa que aquele cãozinho encantador visto nas lojas, penteadinho e com laço de fita no pescoço, pode ter passado por maus bocados antes de chegar à vitrine.

Entidades dos Estados Unidos estimam em mais de 10 000 o número de puppy mills existentes naquele país. Desde 2008, ao menos catorze estados aprovaram leis que exigem licenças especiais e fiscalização periódica para coibir os maus-tratos em criadouros voltados para a venda de filhotes. Algumas cidades tomaram medidas mais radicais.

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Em Phoenix, no Arizona, por exemplo, a corrente de protetores de animais que defendem a proibição da comercialização de animais de estimação conseguiu uma vitória: proibir que pet shops vendam animais vindos de criadouros. As lojas só podem oferecer filhotes originários de abrigos – ou seja, que foram recolhidos nas ruas ou abandonados por seus donos.

Na Europa, é em países do leste, como Polônia, Romênia, Hungria e Lituânia, que se localiza a maioria dos criadouros clandestinos. Um filhote que custa 100 euros nesses lugares, onde a fiscalização praticamente inexiste, pode ser revendido por um preço até dez vezes maior em países mais ricos, como Alemanha e França. No Reino Unido, o número de animais contrabandeados do Leste Europeu subiu de 2 000 para 12 000 entre 2011 e 2013.

Em todo o mundo, os animais domésticos geraram um total de US$ 119,5 bilhões em 2017. A Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (ABINPET) mostra que o Brasil é o 2° maior do mundo em população de cães e gatos e o 4º maior do mundo em população total de animais de estimação. Esses dados são baseados no último levantamento quinquenal (5 em 5 anos) do IBGE de 2013. Segundo o órgão, são 52,2 milhões de cães e 22,1 milhões de gatos vivendo no país.

Para continuar essa crescente arrecadação, alguns locais dispensam o cuidado com os bichos e forçam os animais para reprodução, sem respeitar muitas vezes o limite fisiológico das cadelas, que muitas vezes só saem do canil fadadas a morrer.

11 comentários em “Lucro, exploração, crueldade e extremo maus-tratos nas fábricas de filhotes

  • 22 de março de 2019 em 13:16
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    E voces desse site poque tapou acara do maldito, porque não põe os endereços, vocês são covardes mesmo ????????

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    • 23 de março de 2019 em 12:06
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      A dor de quem dedica a vida a animais vindos de maus tratos e de rua e abandono,ao ver uma reportagem dessas, ‘e enorme, lutamos pra que isso não ocorra mais.
      As pessoas continuam comprando e comprando, ‘e lamentável!!!

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  • 22 de março de 2019 em 21:47
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    Que dó, k ser humano é muito mal .
    Como pode maltratar muito esses coitados. Meu coração está doendo em ler e ver essa reportagem.

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  • 22 de março de 2019 em 23:53
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    Povo parem de comprar cães de raça.
    Olha como vc também contribui com essa crueldade.!!!!

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  • 23 de março de 2019 em 08:21
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    Margot tem que

    colocar esses covardes de quatro e ser estrupados todos os dias

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  • 23 de março de 2019 em 08:57
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    O que fazem aqueles que deveriam proibir esse comercio maldito. O que fazem aqueles que deveriam fazer pagar por cada vidinha encontrada por maus tratos e onde estão os malignos que não vem encarcerar a todos da mesma forma que vem fazendo com os inocentes, e por que ainda a falta de leis que venha proibir este comercio comandados por Demônios vestidos como humanos?..

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  • 23 de março de 2019 em 10:20
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    Pqp turma sem noção do caramba , forçar o animal fazer sexo é demais muita maldade ignorância isso é pecado , olha o que a ganancia não faz se ta doido prefiro ser pobre fudido do que um rico pecador sem coração…

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  • 23 de março de 2019 em 11:15
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    Se tivesse um a lei em vigor que proibisse e uma punição severa talvez acabava com isso ou pelo menos diminuiria ,mas como não tem então todos que amam os animais devem juntos se unirem pra acabar com isso descobrir os locais fazer protestos em feiras .

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  • 23 de março de 2019 em 12:15
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    A dor de quem dedica a vida a animais vindos de maus tratos e de rua e abandono,ao ver uma reportagem dessas, ‘e enorme, lutamos pra que isso não ocorra mais.
    As pessoas continuam comprando e comprando, ‘e lamentável!!!

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  • 23 de março de 2019 em 12:35
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    Crimeeeee!!! Mostra a cara dos pilantras q qrem ganhar dinheiro as custas dos pobrezinhos, mostra a cara ai bando de vagabundo vá trabalhar honestamente q vcs teram dinheiro safados.

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  • 24 de março de 2019 em 01:06
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    Acho uma covardia. Deveria mesmo colocar esses crápulas de quatro e estrupa-Los até pedirem clemencia, deixar colocar em uma gaiola. Oro todos os dias por esses seres de Deus indefesos. Que precisa ser feito para que isso não aconteça mais.

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